Ciência e Sociedade Covardes Adotam Algoritmos Predatórios
Uma
sociedade minimamente ética não adotaria os predatórios, cegos e terríveis
algoritmos das mídias sociais e da inteligência artificial (IA), orientados
para a sujeição humana e devastação social. Só uma ciência e sociedade covardes
aceitam a ganância, colonialismo e racismo, em detrimento do bem-estar social.
Em nosso
trabalho intitulado "O Ifá e Candomblé Podem Mudar o Terrível Algoritmo da IA?" foi mostrado que o mundo ocidental e suas práticas colonialistas e
racistas, incluindo o racismo religioso, conseguiu esconder as bases de
conhecimentos de nossos ancestrais, que criaram matematicamente, há mais de
cinco mil anos, modelos de sistemas de decisão, de forma participativa e ética,
longe da ganância e outros perigos e brutalidades dos atuais algoritmos.
Só para
mostrar a discriminação e arrogância da inteligência artificial da Meta,
tópicos do texto são mencionados pela IA da Meta, mas o crédito é dado a outros
trabalhos em língua inglesa. Este abuso parece se dá pelo fato de que o texto é
escrito em português ou pelo vício colonial da plataforma de esconder trabalhos
que criticam a caixa preta e o terrível algoritmo da Meta. Lembrar que estou
falando de um texto publicado com destaque e indexado pelo Google.
Portanto, a
grande narrativa de inovação de nossos dias é de uma ciência covarde que conseguiu
tornar os modelos de decisões de nossos ancestrais, puros, éticos e
participativos, em modelos predatórios, cegos e terríveis, cujos algoritmos não
são nada mais do que arapucas do colonialismo digital, que estão aí nos levando
à sujeição humana.
Quase todos
nós estamos sendo capturados por estas arapucas, usando seus modelos
extrativistas para coletar nossas informações sem consentimentos, muitas vezes
de forma criminosa, ora plagiando o que escrevemos e dando créditos a outros
autores, ora escondendo o que escrevemos
por conta do vício colonial de suas plataformas, a exemplo da IA da Meta, da
qual sou uma constante vítima, quando escrevo algo.
Como pode,
como já foi dito, as redes sociais e a inteligência artificial faturarem em
cima do sofrimento de seus usuários e da sujeição humana? A literatura vem nos
mostrando que as falhas destas tecnologias não são técnicas, mas morais e
éticas, a partir da captura dos tomadores de decisões pelas Big Techs. Por
conta disto, nada acontece para frear os abusos em termos da falta de transparência,
deepfakes, responsabilidades, privacidades, segurança, discriminação e outros
males, incluindo a saúde mental de jovens e abusos sexuais.
Há mais de
três anos que quatro órgãos reguladores dos Estados Unidos afirmaram que já possuíam
o poder de combater o viés da IA e estariam prontos para usá-lo. Porém, a autoridade de lidar com os danos
causados pelo viés da inteligência artificial ainda não foi usada.
Assim
sendo, ainda hoje se espera que o comunicado conjunto do Departamento de
Proteção Financeira do Consumidor (CFPB), do Departamento de Justiça, da
Comissão de Igualdade de Oportunidades de Emprego (EEOC) e da Comissão Federal
de Comércio (FTC), enquanto órgãos reguladores, nos dê explicações por que as
leis americanas existentes não foram usadas contra empresas pelo uso de IA.
Recentemente
ganhadores do Prêmio Nobel e outros 200 economistas assinaram declaração
pedindo pesquisas aprofundadas sobre os impactos econômicos da IA e elaboração
de políticas sobre os riscos e perda de empregos em grande escala, porém não
apontaram os riscos severos dos algoritmos já existentes, que merecem pesquisas
nos campos da Sociologia, Psicologia e Filosofia, envolvendo a Moral e a Ética,
como problema principal da IA.
Também, há
poucos dias, a presidente da União Europeia (UE), Ursula von der Leyen, afirmou
que as crianças devem ter "acesso gradual" às redes sociais, gerando
indignação entre defensores da privacidade. A punição às redes sociais não foi
enfatizada, apesar de acusações contra a Meta e o TikTok, que rejeitaram as
conclusões da União Europeia.
Para alguns críticos, "é chocante que a
proteção de crianças não seja a prioridade," uma vez que grandes
plataformas de tecnologia voltarão a ter permissão para escanear
voluntariamente mensagens privadas em redes sociais em busca de material de
abuso sexual infantil. Para a cantora finlandesa-sueca, Scharlina Eräpuro,
sobrevivente de abuso sexual, “a cada segundo estima-se que 10 crianças sejam
abusadas sexualmente”.
Não podemos
esquecer, silenciar e esconder, como já aconteceu, os verdadeiros problemas da
IA e a comunidade acadêmica e os profissionais da área técnica devem falar em
voz alta sobre tais problemas, diante dos riscos severos dos algoritmos das
mídias sociais e da IA.
É preciso
avançar em pesquisas nesta área, sobretudo em termos da covardia da ciência e
da sociedade em não nos proteger sobre tais riscos, a exemplo das doenças
mentais de nossas crianças e jovens e da sujeição humana. A questão da tecnologia e suas limitações já
é conhecida, mas o debate sobre a covardia da ciência e da sociedade é
desconhecida.
Na ética
aplicada, estudiosos debatem a covardia da ciência e os morais covardes,
sobretudo aqueles que recusam enfrentar pressões políticas para agradar aos
interesses de poderosos, sobretudo nos campos de saúde pública e das ciências
ambientais. Nos campos da filosofia, sociologia e psicologia estudos sobre a decadência moral já é reconhecida, mas é
preciso avançar muito sobre a covardia da ciência e da sociedade em termos de
proteção social no campo da tecnologia.
Vale
lembrar aqui o que disse o poeta italiano, Dante Alighieri, que condenou os
passivos e neutros — aqueles que não tomaram partido na vida — como as almas
mais desprezíveis, que não se comprometem com qualquer causa que constitui a
traição suprema à condição humana. Como aceitar o conformismo e ter aversão aos
riscos, aceitando a normalização do silencio diante de tanta injustiça?
Entre os
filósofos que tratam da covardia, não podemos esquecer o que disse Friedrich
Nietzsche: “grande parte da moralidade convencional está, na verdade, enraizada
na covardia. Como disse ele, as sociedades frequentemente adotam "mentalidades de manada" passivas e
complacentes não por verdadeira virtude, mas por covardia.
Já foi dito
que se a tecnologia não for projetada para os mais vulneráveis, ela falha com
todos nós. Pela baixa qualidade de nossos algoritmos, a desconexão poderia ser
para todas as idades e não apenas crianças e adolescentes. A proibição de
crianças e adolescentes ao uso de tecnologias significa manter o status quo e
os algoritmos predatórios e terríveis da IA e das atuais mídias sociais.
A
necessidade de mudanças no desenho e desenvolvimento de novas tecnologias
centradas em adolescentes, que respeite a privacidade e segurança, requer o
engajamento cada vez maior deles, tornando-os livres cada vez mais como
cidadãos e não como súditos rejeitados pela ganância.
Uma
sociedade covarde é esta que estamos vivenciando, que pode ser definida por sua
inércia. É uma sociedade do silencio, em que o discurso público e as injustiças
sociais e sistêmicas permanecem incontestadas em nome da harmonia social.
.png)
Comentários